FAPITEC/SE aprova projetos de pesquisadores do ITP para as regiões do Alto Sertão e do Baixo São Francisco sergipano

22/10/2018
Alto sertão sergipano - foto Assessoria SETESP/SE
Alto sertão sergipano - foto Assessoria SETESP/SE

Promover o desenvolvimento das áreas estratégicas do Alto Sertão e do Baixo São Francisco sergipano por meio do fomento às atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação. Este é o objetivo do edital n°04/2018 do Fundo Estadual para o Desenvolvimento Tecnológico e Científico (Funtec), realizado por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC), que selecionou 24 projetos, dois deles, coordenados por pesquisadores do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), os doutores Álvaro Silva Lima e Cleide Mara Faria Soares. O critério para a eleição dos projetos foi o caráter inovador da pesquisa e potencial de aplicabilidade dos resultados no apoio à solução e ao conhecimento de problemas associados às demandas específicas nas áreas em questão.

Por isso, a proposta do Dr. Álvaro Lima, de desenvolvimento de um kit analítico para a determinação de hormônios e antibióticos, e subsequente monitoramento da água de captação e escoamento da atividade de carcinicultura; e o da Dra. Cleide Soares, de desenvolvimento de queijos com baixo teor de lactose e outros produtos reaproveitando a biomolécula, foram aprovados e já estão com cronograma de execução montados. Cada proposta receberá financiamento no valor de R$ 30 mil.

 O território do Alto Sertão Sergipano está localizado no noroeste do estado de Sergipe e é composto pelos municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha, Gararu e Nossa Senhora de Lourdes, ocupando, segundo dados do IBGE, 22,42% de todo o Estado e com população estimada, para este ano de 2018, de 162.049 habitantes. Os principais centros polarizadores deste território são as cidades de Canindé do São Francisco e Nossa Senhora da Glória, que representam um setor de comércio e serviços mais consistentes no atendimento às demandas da região, que por ter clima semiárido, portanto, curtos períodos de chuva durante o ano, possui vocação para a agricultura de ciclo curto, como afirma o IBGE no documento “Uso da terra no estado de Sergipe”, do ano de 2011.

Já o território do Baixo São Francisco está localizado a nordeste do Estado, limitando-se com o rio São Francisco e o Oceano Atlântico, sendo formado pelos municípios de Amparo do São Francisco, Brejo Grande, Canhoba, Cedro de São João, Ilha das Flores, Japoatã, Malhada dos Bois, Muribeca, Neópolis, Pacatuba, Propriá, Santana do São Francisco e Telha. Juntos, representam 8,88% do território sergipano e têm população estimada pelo IBGE/2018 de 118.442 habitantes.

 

OS PROJETOS

A pesquisa que será desenvolvida sob a coordenação da Dra. Cleide Soares, “Desenvolvimento de queijos com baixo teor de lactose e outros produtos reaproveitando a biomolécula”, baseia-se nas novas tecnologias utilizadas para atender os parâmetros da Instrução Normativa 51/2002, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. De acordo com a pesquisadora, os processos de redução do teor de lactose do leite por filtração com uso de membranas, um dos métodos mais utilizados, tem enfrentado problemas com as agências reguladoras por causa dos valores obtidos, que os fazem entrar na categoria de leites adulterados. Dois estudos anteriores realizados no ITP utilizando a técnica de impressão molecular do leite para a remoção da lactose, para a obtenção de leite com baixo teor e recuperação da lactose das partículas obtidas com esta mesma técnica resultaram em patente já depositada no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI).

Dra. Cleide Soares

Segundo a professora Cleide Soares, o caráter inovador desta pesquisa é a possibilidade de obter leite, queijo e outros produtos com baixo teor de lactose. “A técnica de recuperação da biomolécula de lactose pode proporcionar controle do tamanho dos cristais e novos produtos com características regionais do estado de Sergipe, utilizando a técnica do Sistema de Particionamento Trifásico (SPT) vislumbrando um novo processo industrial como estratégia para as áreas do Alto Sertão Sergipano e Baixo São Francisco”, evidenciou.

O kit analítico para a determinação de hormônios e antibióticos e subsequente monitoramento da água de captação e escoamento da atividade de carcinicultura, coordenado pelo professor Álvaro Lima, visa, além do monitoramento físico-químico e microbiológico, o acompanhamento de hormônios e antimicrobianos comumente utilizados no setor. Estes compostos causam danos ao meio ambiente e à saúde humana devido à possibilidade de formação de microrganismos resistentes, de feminilização de peixes e por representar micropoluentes emergentes necessários ao tratamento de água de abastecimento.

Dr. Álvaro Lima

De acordo com o Dr. Álvaro Lima, apesar de estes compostos estarem em baixíssimas quantidades no meio, eles acarretam os problemas já citados, por isso, a proposta é desenvolver uma metodologia sustentável para a concentração baseada em sistemas aquosos bifásicos, utilizando líquidos iônicos de baixo custo e solventes orgânicos. Paralelamente será estudado, na casca do camarão - que é o resíduo da atividade econômica - o processo de adsorção de hormônios e antibióticos. “O projeto também propõe o levantamento das unidades produtoras e da lista de antibióticos e hormônios empregados, seguido do monitoramento da área com emissão de laudos trimestrais aos produtores e, ainda, diagnóstico para os órgãos de governo responsáveis por fiscalizar a carcinicultura em Sergipe”, frisou o pesquisador.



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