Pesquisadores do ITP realizam estudos para produção de osso sintético

04/05/2016

Ajudar pessoas que tiveram perda óssea a se recuperarem mais rapidamente é o principal objetivo da linha de pesquisa desenvolvida no Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) pelos pesquisadores Paulo Autran Leite Lima e Luciana Maria de Hollanda, Professores Doutores do Programa de Pós Graduação em Biotecnologia Industrial da Universidade Tiradentes. O trabalho está sendo desenvolvido com a mestranda em Biotecnologia Industrial Amaryllis Maria de Andrade Tavares. Eles estão produzindo um enxerto ósseo sintético a partir de um modelo 3D de quitosana (extraído dos crustáceos) e fibroína (produto derivado do casulo do bicho da seda).

“Tradicionalmente o que se busca é um biomaterial que seja o mais próximo possível do osso, com propriedades mecânicas e físico-químicas similares às da região óssea a ser implantada”, explicou Prof. Paulo Autran. Dentre os prováveis pacientes a receber esta tecnologia estarão as pessoas que tiveram algum tipo de traumatismo craniano, segundo as informações passadas pelos pesquisadores.

Este experimento é uma continuação da tese de doutorado do Prof. Dr. Paulo Autran, intitulada “Preparação, caracterização e avaliação in vitro de compósitos baseados em quitosana, fibroína e hidroxiapatita para engenharia tecidual óssea”. A pesquisa foi iniciada há aproximadamente seis meses no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial. A coordenação deste estudo é dos pesquisadores Paulo Autran e Luciana Hollanda, e a pesquisa tem o apoio do ITP.

RESULTADOS POSITIVOS

Os testes em modelos experimentais in vivo já foram iniciados. Nestes, o enxerto ósseo não provocou alteração comportamental ao longo dos 30 dias de acompanhamento da experiência, o que indica que o material foi bem aceito, de acordo com a Profa. Luciana Maria de Hollanda. Mas, qual o diferencial inovador desta pesquisa se já existe cirurgia de enxerto ósseo sendo realizada no Brasil? Segundo as explicações dos pesquisadores, o diferencial está no método de produção do enxerto, informação que não pode ser revelada neste momento por uma questão da proteção intelectual da tecnologia desenvolvida.

PERCEPTIVAS

De acordo com os pesquisadores, o próximo passo deste estudo é a adição de nanomateriais ao enxerto com o objetivo de aumentar a resistência dele e a aderência celular. Dentre as nanopartículas que poderiam ser associadas ao “scaffold” estão a sílica, o boro e o carbono. A ideia é que esse osso sintético faça uma ligação entre os ossos naturais e possa promover, com maior rapidez, o crescimento ósseo.

O processo ainda está em fase de padronização, seguindo os protocolos nacionais e internacionais preconizados pelas instâncias regulatórias da área. “Para que os experimentos possam ser iniciados em humanos serão necessários mais alguns anos de pesquisa, mas o importante é que já iniciamos a caminhada”, declararam os pesquisadores, o Dr. Paulo Autran e a Dra. Luciana Hollanda.

“Pesquisas como esta são consideradas estratégicas para o ITP, pois contribuem significativamente para os desenvolvimentos científico e tecnológico aplicados às necessidades sociais. Possuem ampla aplicabilidade prática em várias áreas da medicina humana e veterinária, além de poderem ser utilizadas em diversas especialidades da Odontologia e também na Educação, por meio da confecção de protótipos para treinamento de profissionais da área de saúde”, declarou o Dr. Diego Menezes, Presidente do ITP.



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